31 de outubro de 2017

Halloweird

Onze da noite. Olhos pesados. Uma luz trémula ilumina o quarto, desarrumado, como sempre. As cordas tocam sons repetidos, por entre os dedos suaves de uma miúda qualquer, tão desleixada como o espaço que a rodeia. Expetativas altas, decepções graves.
A campainha interrompe a melodia triste e melancólica. Abro a porta, e caio no erro de esperar ver a tua cara. Fantasmas pedem por doçura ou travessura. Esqueci-me que estamos na noite mais assustadora do ano. Porque só tu, para me fazeres esquecer da existência do tempo, ao pensar em ti. Não comprei doces, e rezo para que a travessura sejas tu. Pensamentos idiotas, agora afagados por uma outra melodia qualquer que viaja por entre o quarto. Será que para ti é Halloween todos os dias? Não tenho o doce que procuras, e em troca, és travesso, e decides brincar com o meu coração partido.
As cordas encontram-se silenciosas. É possível ouvir o tic tac do relógio. O tempo voltou a existir. Porque o teu fantasma acabou de partir.

Texto da minha autoria, não copiar sem autorização prévia. Escrito a 31/10/2016.


*Escrevi isto há um ano atrás, na noite de Halloween. Lembro-me bem que nessa noite recusei todos os convites para sair, para poder ficar em casa com a minha guitarra e o meu coração partido. Não toco assim tão bem quanto possa parecer no texto, mas o resto da história é verídica (à exceção da última frase pelo menos na altura não era).  As coisas mudam, e um ano depois, lá vou eu tentar gozar a juventude e ter uma noite divertida. Happy Halloween :) *

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