O meu pai e a minha mãe, ambos amantes da leitura, ensinaram-me que ler é importante. Ensinaram-me a beber cada palavra escrita nas páginas, como se fosse limonada. Com eles, aprendi a gostar de ler. Tornou-se um vício incurável. Entrava constantemente em livrarias, e em vez de considerar tal espaço um simples "local onde se compram livros", via-as como um parque de diversões. E chorava muito porque queria comprar vinte livros, mas só haviam trazido dinheiro para um. Eu adorava ler. Atualmente ainda aprecio um bom livro, mas infelizmente já não tenho tanto tempo disponível como dantes.
No entanto, o meu irmão de dez anos tem. Ele tem tempo de sobra para imaginar personagens, aventurar-se por entre lugares nunca dantes vistos, mas em vez disso, ele prefere passar os dias a jogar. E ainda tem a lata de me vir dizer que "ler é para velhos". Chamar-me-iam homicida se eu vos dissesse que fiquei com vontade de o esganar? Ler é algo culturalmente enriquecedor, enquanto que jogos de PlayStation não o levam a lado nenhum.
Não me interpretem mal. Não estou a dizer que ele não devia jogar, nem estou a proibi-lo de nada. Mas ele passa os dias colado à PlayStation, enquanto que eu, com a idade dele, lia um livro por dia. Eu também jogava na PlayStation, eu também gostava de ver desenhos animados, porém eu fazia-o com moderação. E ele vem-me com a conversa "eu não gosto de ler, é aborrecido. Além disso não consegues ver a cara dos personagens!".
Ler é importante, seja qual for a idade que nós tenhamos. Eu não acredito que há pessoas que não gostem de ler. Na minha opinião, essas pessoas ainda não encontraram o tipo de livros que elas gostam. Não vou começar com a lenga-lenga de que "ler cultiva a imaginação", isso já é mais que sabido. Mas ler concede-nos a oportunidade de ir a algum lugar sem sair do mesmo sítio. E isso é um sentimento fantástico, mas que infelizmente poucas pessoas o vivenciam. Espero mesmo que o meu irmão mude de opinião sobre estes grandes companheiros.
"A reader lives a thousand lives before he dies" - George R. R. Martin



















