A minha mãe é professora e trabalha na escola onde eu estudo. A maioria das pessoas pensa que os filhos com os professores na mesma escola têm os privilégios todos e ficam a saber das coisas antes de nós. Deixem-me dizer-vos que não é bem assim. Já sofri bastante à conta disso.
No sétimo ano, por exemplo. Os nossos testes de geografia são à base de cruzinhas e uma composição. Ora, eu tive os exercícios das cruzinhas todos bem, e tive 0 na composição. Isso valeu-me um 90% (a composição vale 10%). Houve uma colega minha, que teve dois exercícios das cruzes errados (cada um vale 5%) e teve metade da composição certa. Por isso ela teve 85%. Mas ela achava que devia ter tido 90% também e não descansou enquanto não disse aos outros que eu tive melhor nota porque a professora era amiga da minha mãe.
No início do oitavo, estávamos a corrigir o tpc na aula de inglês. Eu não o tinha feito, e já estava perdida porque a professora estava a avançar na correção demasiado rápido. Ela reparou e perguntou onde é que eu estava para ela dizer o que faltava. Se ela na mesma não tivesse reparado, eu tinha perguntado. A professora ajudou-me. Agradeci-lhe. E depois veio um paspalho a dizer que se fosse com ele a professora não teria feito isso.
E agora digo-vos, muito sinceramente, que ele tinha razão. A professora ajudou-me, não porque eu nasci graças a ela (sim, foi a minha stora de inglês que apresentou o meu pai à minha mãe), mas porque eu adoro inglês, sou muito participativa nas aulas e aquele tpc foi um deslize. Já ele, só conversa, não se interessa por nada, nunca faz nada nas aulas, e depois surpreendeu-se. Obviamente ele não descansou enquanto não disse a mesma coisa que a outra gaja no sétimo ano.
Toda a gente atura gente falsa, isso é sabido. Mas eu, além de ter os falsianes do costume, ainda tenho de lidar com mais uns quantos, só mesmo porque eles querem saber o que vai sair no teste que a minha mãe vai fazer.
Fiz-vos este discurso todo, para que saibam que lá por sermos filhos dos professores não quer dizer que temos privilégios. Somos iguais aos outros. Eu sei que sou a favorita de um ou outro, mas não é por se filha de alguém que eles conhecem, é por ser trabalhadora e tentar fazer o meu melhor. Por isso, para a próxima, antes de irem dizer que o fulano tal, filho do professor x, tem melhores notas que vocês, anda com a mochila mais leve, e sabem as coisas antes de vocês, pensem duas vezes, porque vocês estão a magoar alguém.
Para os que acham que somos melhores:
Querem mochilas leves? Arranjem um cacifo. Querem ter melhores notas? Estudem. Querem saber das coisas? Informem-se. Porque é assim que isso funciona. É assim que eu funciono. Não sou mais, nem menos que tu. Sou igual ti (com a exceção de que apesar das minhas boas notas tenho o QI do tamanho de uma noz). E respeitem isso. Tenho orgulho nos meus pais e terei sempre, independentemente da profissão deles. E desculpem a raiva, mas estou mesmo furiosa.
15 de setembro de 2015

12 de setembro de 2015
Deutsch
Comecei à pouco tempo a realizar uma das minhas metas de vida: aprender várias línguas. Qual foi a que escolhi? Alemão.
Ando a aprender há três dias. Já sei umas coisitas. Vamos ver aonde consigo chegar com isto.
Wünscht mir Glück! (desejem-me sorte!)
Ando a aprender há três dias. Já sei umas coisitas. Vamos ver aonde consigo chegar com isto.
Wünscht mir Glück! (desejem-me sorte!)

10 de setembro de 2015
Happy News
Ontem fui, pela primeira vez em meses, ao meu facebook. Não gosto de ir lá, mas também não o apago porque isso levantaria perguntas às quais eu não tenho pachorra para responder. Anyway, eu fui lá, e de repente vejo uma mensagem. É uma mensagem de uma amiga que andou na minha turma durante uns dois meses no sétimo ano, mas depois foi para outra cidade. Nós já não falávamos à meses. Ela disse que ia voltar cá para a cidade, e para a minha escola. E o melhor, ainda há a possibilidade de ela ficar na minha turma! Fiquei muito feliz. É destas amizades que eu gosto. Daquelas em que não é obrigatório falar todos os dias, mas apesar da distância e da falta de contacto, continuamos a dar-nos muito bem, como há quase dois anos atrás =)
Recordações
Tenho recordações em todo o lado. Na minha memória. Em fotografias. Em determinado local.No meio da confusão do meio quarto, um dia destes encontrei um diário. O meu antigo diário. Capa roxa com uma guitarra, cadeado pequeno, páginas roxas e a minha letra da escola primária.
Caramba, mudei imenso. A minha memória não é tão boa quanto eu pensava, pois a cada segundo que passa, as recordações são jogadas para o poço do esquecimento. Pergunto-me se serei aquela rapariga de olhos brilhantes e cara fofinha que está na fotografia no quarto dos meus pais. Sou eu? Não pareço. Olhei-me ao espelho e tentei procurar algumas parecenças. Mas não existiam. O meu cabelo, cortado pelo queixo na altura, hoje é muito maior. Perdi os dentes de leite, e agora uso uma "placa metálica" para os definitivos endireitarem. O brilho nos olhos de uma criança inocente, hoje é inexistente.
Estou no jardim. Adoro este local. Quando era pequena, ia muitas vezes para cá com o meu avô. Adorava quando ele me empurrava o baloiço. Quando ele brincava às escondidas comigo. Hoje, já nem ele tem forças para me empurrar no baloiço, nem eu preciso, pois aprendi a andar sozinha, e além disso, já não caibo lá.
Os infinitos momentos que estão cá dentro de nós, muitos vão embora. Mas os mais importantes permanecem. Não no cérebro, mas sim no coração.
*Escrito por mim, se copiarem deixem os créditos*

9 de setembro de 2015
I don't wanna
Eu não quero que a escola comece. E não é porque vou ter de voltar a estudar ou a levantar-me cedo. Isso é o menos importante, apesar de também não gostar. Não quero que a escola comece porque vou voltar a ser gozada.
Eu tentava de tudo para pararem com aquilo. Tentei responder à altura, mas não sou o tipo de pessoa com uma resposta na ponta da língua, por isso acabava por não dizer nada de jeito. Tentei ignorar, mas como é possível fazê-lo, se os "ataques" deles eram cada vez mais frequentes? Tentei rir-me disso na cara deles, mas como o fazer quando o que eu queria era chorar?
Julgava-me fraca, por não conseguir fazer aquilo. Não me considero propriamente uma pessoa forte. Dizem que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Mas não era isso que eu sentia, eu sentia-me cada vez mais fraca. Tive de ir contar à DT. Um dos dois rapazes que gozavam comigo parou (olhares desdenhosos e indiretas à parte) mas o outro não. E ainda tive a sorte de ficar ao lado desse nas aulas.
Isso não são coisas fáceis de esquecer. Deixam marcas, podem não ser físicas, podem não se ver, mas sentem-se. Só espero que este ano as coisas sejam diferentes. Não são obrigados a falar comigo, mas que me deixem em paz ao menos. Escrevi isto tudo a chorar.
Eu tentava de tudo para pararem com aquilo. Tentei responder à altura, mas não sou o tipo de pessoa com uma resposta na ponta da língua, por isso acabava por não dizer nada de jeito. Tentei ignorar, mas como é possível fazê-lo, se os "ataques" deles eram cada vez mais frequentes? Tentei rir-me disso na cara deles, mas como o fazer quando o que eu queria era chorar?
Julgava-me fraca, por não conseguir fazer aquilo. Não me considero propriamente uma pessoa forte. Dizem que o que não nos mata, torna-nos mais fortes. Mas não era isso que eu sentia, eu sentia-me cada vez mais fraca. Tive de ir contar à DT. Um dos dois rapazes que gozavam comigo parou (olhares desdenhosos e indiretas à parte) mas o outro não. E ainda tive a sorte de ficar ao lado desse nas aulas.
Isso não são coisas fáceis de esquecer. Deixam marcas, podem não ser físicas, podem não se ver, mas sentem-se. Só espero que este ano as coisas sejam diferentes. Não são obrigados a falar comigo, mas que me deixem em paz ao menos. Escrevi isto tudo a chorar.

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