24 de agosto de 2015

Tu Eras Especial

Tu não eras só mais um. Tu tinhas qualidades, tu tinhas defeitos. Tu és humano. Tu eras especial. "Tal como todos os outros", disseste. Não tive a coragem de dizer "não", porque apesar de eu não querer acreditar, de não querer admitir, no fundo, era a verdade. Tinha dito o mesmo a todos os outros. E, sarcasticamente, tinha partido o coração a todos eles. Todos tinham aquela essência especial no início, até que, a pouco e pouco, eu voltava a ser eu mesma, deixava de ser a menina apaixonada e voltava a ser aquela que ninguém quer, aquela que todos desprezam.
A angústia gostava de brincar às escondidas comigo, ela estava bem lá no fundo da minha alma, e quando eu não estava à espera, ela veio ao de cima, para se alimentar da minha felicidade. Eu queria culpa-la por todos os meus maus momentos, mas como havia de o fazer? A angústia fazia parte de mim, por isso, seguindo a lógica, a culpa era minha.
EU era a culpada de tudo. Eu e mais ninguém. Ele não foi o primeiro, e não havia de ser o último.

*Isto é fictício, não retrata a realidade. Escrito por mim, se copiarem deixem os créditos*

Não Precisava do Teu Sorriso

O verão trouxe-me aquela alegria de que eu estava a precisar há muito tempo. A alegria de me sentir alegre, sem nenhum motivo aparente. Não precisava de olhar para ti para sorrir, o facto de olhar lá para fora e ver o sol irradiar o meu dia era suficiente. Ele trazia cor e alegria à vida. As flores ganhavam um cheiro diferente, pareciam mais coloridas. O mar mais limpo e mais azul. Estava mais calor. A pouco e pouco o cabelo ficava mais claro. Não precisava de olhar para ti para sorrir. Os encontros com os amigos de verão eram maravilhosos, as pessoas andavam mais energéticas, as bebidas eram o mais frescas que era possível, as roupas eram de tons claros. Não precisava de olhar para ti para sorrir. Depois o verão acabou. E eu precisei de voltar a olhar para ti para sorrir.

*Escrito por mim, se copiarem deixem os créditos*

23 de agosto de 2015

Tu Eras Diferente

Eu tinha aquela capacidade especial de ler as pessoas. Não sou nenhuma leitora de mentes, mas conseguia saber o que se passava na alma de tal pessoa só de olhar para os olhos dela.
Sentada no café, olhei para a mulher da mesa do lado, a cuidar da filha pequena. Vi que eu estava a olhar para ela e sorriu-me antes que pudesse desviar o olhar. Descobri a dor nos olhos dela. Reparei que não utilizava aliança. Ela olhou para a filha. Foi o suficiente para perceber que aquela mulher tinha perdido o marido e a filha iria crescer sem pai.
As pessoas podiam mentir-me, dizer que estavam bem, mas eu sabia. Não são precisas nenhumas palavras para comunicar. Estava habituada a ler pessoas. Até tu apareceres. Desde a primeira vez que entraste por aquela porta, eu bem tentei ler-te. Mas não consegui. Tinhas um misto de brilho, mistério, felicidade e medo nos teus olhos. E isso deixou-me confusa, pois normalmente os olhos só nos mostram uma coisa. Foi aí que me apercebi. Tu eras diferente.

*Escrito por mim, se copiarem deixem os créditos*

12 de maio de 2015

O Recomeço


O recomeço é sinónimo de segunda oportunidade. Olho para o céu e vislumbro o sol a pôr-se, enquanto aparecem umas nuvens cor-de-rosa. Eu sei o significado delas: "Amanhã estará bom tempo e tu terás um dia feliz". Foco-me nesta frase e tento acreditar. Amanhã será outro recomeço. Outra oportunidade de emendar os erros que cometemos hoje. Outra oportunidade para lhe dizer o que sinto por ele, para fazer as pazes com a melhor amiga, ou mesmo para realizar o trabalho de casa esquecido. Amanhã teremos outra oportunidade para sermos felizes.