
Tenho recordações em todo o lado. Na minha memória. Em fotografias. Em determinado local.
No meio da confusão do meio quarto, um dia destes encontrei um diário. O meu antigo diário. Capa roxa com uma guitarra, cadeado pequeno, páginas roxas e a minha letra da escola primária.
Caramba, mudei imenso. A minha memória não é tão boa quanto eu pensava, pois a cada segundo que passa, as recordações são jogadas para o poço do esquecimento. Pergunto-me se serei aquela rapariga de olhos brilhantes e cara fofinha que está na fotografia no quarto dos meus pais. Sou eu? Não pareço. Olhei-me ao espelho e tentei procurar algumas parecenças. Mas não existiam. O meu cabelo, cortado pelo queixo na altura, hoje é muito maior. Perdi os dentes de leite, e agora uso uma "placa metálica" para os definitivos endireitarem. O brilho nos olhos de uma criança inocente, hoje é inexistente.
Estou no jardim. Adoro este local. Quando era pequena, ia muitas vezes para cá com o meu avô. Adorava quando ele me empurrava o baloiço. Quando ele brincava às escondidas comigo. Hoje, já nem ele tem forças para me empurrar no baloiço, nem eu preciso, pois aprendi a andar sozinha, e além disso, já não caibo lá.
Os infinitos momentos que estão cá dentro de nós, muitos vão embora. Mas os mais importantes permanecem. Não no cérebro, mas sim no coração.
*Escrito por mim, se copiarem deixem os créditos*